Cirurgias e a fila do SUS – Espera chega a 10 anos

INÍCIO | NOTÍCIAS | Cirurgias e a fila do SUS – Espera chega a 10 anos

Cirurgias e a fila do SUS – Espera chega a 10 anos

Atraso nos procedimentos pode fazer com que a cirurgia eletiva vire uma cirurgia de emergência


O Sistema Único de Saúde (SUS) tem a responsabilidade de prover atendimento universal a todos os brasileiros e cerca de 163 milhões de pessoas no país dependem exclusivamente desse serviço, visto que não possuem plano de saúde. Hoje, pelo menos 904 mil pessoas esperam, na fila, por uma cirurgia eletiva. Em dezembro de 2017, 746 pedidos estavam pendentes na lista há mais de 10 anos.

Esses dados, apresentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com base em informações das secretarias de saúde dos estados e das capitais brasileiras obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostram que é preciso encontrar uma saída para que essas pessoas possam ter acesso às cirurgias para manutenção da saúde e da qualidade de vida.

Cirurgias eletivas atrasadas podem evoluir para cirurgias de emergência devido ao agravamento das condições clínicas desses pacientes. Ainda segundo divulgado pelo CFM, um paciente que espera sete anos na fila para realizar uma cirurgia tem 18% mais chance de morrer do que aquele que passa rapidamente pelo procedimento.

Quem não tem convênio médico e não consegue ser atendido pelo SUS, encontra nos hospitais particulares a solução para sanar as pendências de saúde. Porém, na maioria das vezes, os valores não são tão acessíveis.

Hoje, os procedimentos oftalmológicos – como tratamentos para catarata e para doenças da retina – são os mais requisitados. Na sequência, estão cirurgias para correção de hérnias e retirada da vesícula biliar. São procedimentos de média complexidade e nos quais o ciclo de cuidado é mais enxuto. Porém há, também, filas para cirurgias de varizes, vasectomias e laqueaduras, e ortopédicas como artroplastia de quadril e joelho.

Em janeiro deste ano o Ministério da Saúde anunciou investimentos para diminuir as filas. Mas pouco tempo após o anúncio a pandemia do novo coronavírus chegou ao nosso país exigindo atenção de todo o sistema de saúde e contribuindo, ainda mais, para o aumento da fila de cirurgias eletivas. Um estudo global publicado no The British Journal of Surgery estima que mais de 28 milhões de operações serão canceladas no mundo como consequência da COVID-19. Qual será o impacto desses cancelamentos em um sistema de saúde já sobrecarregado? Sentiremos nos próximos meses.

Para sanar esse problema crescente, será importante que o sistema privado contribua com esses atendimentos. Até por que uma pesquisa elaborada pela Planisa e divulgada no segundo semestre de 2019 mostra que, em média, a taxa de ocupação dos centros cirúrgicos das unidades hospitalares é de 38%. O dado foi obtido em uma amostra com mais de 30 hospitais. Assim, soa positivo prover novas formas para que os pacientes que estão na fila do SUS possam realizar seus procedimentos nos hospitais particulares. Principalmente no cenário pós pandemia do novo coronavírus.

Vidia Assessoria
× Tem dúvida? Me chama pra conversar!