Centros cirúrgicos vazios geram gap financeiro aos hospitais

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Centros cirúrgicos vazios geram gap financeiro aos hospitais

A pandemia do novo coronavírus priorizou procedimentos emergenciais, prejudicando a saúde financeira das instituições

10 de julho de 2020

Além de gerar um enorme problema de saúde, o novo coronavírus – que já fez mais de meio milhão de vítimas fatais no globo – também desencadeou uma crise financeira nas instituições hospitalares. Com a recomendação inicial de adiar procedimentos cirúrgicos que não fossem urgentes ou essenciais – como, por exemplo, cirurgias eletivas – houve uma drástica queda na movimentação dos centros cirúrgicos.

Artigo publicado no British Journal of Surgery (1) estimou que a pandemia acarretou o adiamento ou cancelamento de 28,4 milhões de cirurgias no mundo ao longo de suas 12 semanas mais incisivas. No Brasil, o presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), Luiz Carlos Von Bahten, estimou, em entrevista ao jornal O Globo, que restringir as cirurgias aos casos urgentes e essenciais durante os últimos meses afetou cerca de 70% dos procedimentos.

Entre março e início de junho, os hospitais estavam dedicados aos atendimentos de COVID-19 e tanto cirurgias quanto atendimentos eletivos foram postergados. Com medo da contaminação no ambiente hospitalar, muitos pacientes deixaram de procurar ajuda mesmo quando tinham sintomas que poderiam evoluir com gravidade. Não à toa o número de mortes em casa por doenças cardiovasculares aumentou 31% entre março e maio deste ano, segundo dados divulgados pelo Portal da Transparência e compilados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Sem realizar procedimentos eletivos, principalmente os cirúrgicos, os hospitais assistiram à drástica queda de seus faturamentos. Segundo estimativa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp), o prejuízo nos hospitais privados, que têm nas operadoras de planos de saúde sua principal fonte pagadora, chega a R$ 18 bilhões.

O setor ensaia uma normalização, com base na Nota Técnica nº 6 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No início de junho, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou orientações para realização segura de procedimentos cirúrgicos e restabeleceu os prazos máximos de atendimento dentro da saúde suplementar.

Dessa forma, os serviços de saúde podem fornecer, com segurança, atendimentos eletivos, inclusive cirurgias que tenham sido postergadas. Isso é ótimo, mas não se pode ignorar o aumento de custo pelo cumprimento das regras de contenção da disseminação do vírus, como maior espaçamento entre os procedimentos. Sem dúvida, haverá um gap financeiro nas redes hospitalares. Se as operadoras de planos de saúde deixaram de repassar R$ 6 bilhões aos hospitais em cada um dos três densos meses da pandemia de COVID-19, essas instituições tiveram tanto seus recursos financeiros quanto humanos defasados e enfrentarão dificuldades para retomar os atendimentos em uma escala rápida. Há que se pensar na saúde dos hospitais, pensar em novas linhas de receita para esses agentes tão importantes para o sistema de saúde.

Vidia Assessoria
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